Robótica, meio ambiente e cultura chinesa integram projeto educacional em Volta Redonda

O mês de julho começou animado no Colégio João XXIII, uma das instituições que compõem a Fundação Educacional de Volta Redonda (FEVRE), no Rio de Janeiro. No dia 01, ocorreu a exposição Robótica Educacional, em que os alunos do projeto de robótica, sob instrução do professor Frederico Pitassi, apresentaram protótipos construídos pela equipe ao longo de 2022 e dos anos anteriores. Segundo Pitassi, “o projeto de robótica visa o desenvolvimento, tanto educacional quanto social, dos estudantes, buscando unir a interdisciplinaridade, bem como trazer exemplos e construções de projetos tecnológicos, utilizando material reciclado, componentes elétricos, eletrônicos e mecânicos e abrindo um leque de possibilidades para o crescimento dos alunos”.

Projetos desenvolvidos pelos alunos.

A exposição apresentou diferentes níveis de projetos, como criações de ar condicionado, ventiladores, lanternas e outros equipamentos com material reciclado, unindo também projetos como o Carro controlado por celular via bluetooth e a Casa Inteligente de Leds e Sensores, premiada pela Mostra Nacional de Robótica (MNR) 2018/201 e que, em 2022, ganhou novos integrantes e módulos. As alunas de robótica, Ana Vitória e Ana Clara, apreciaram a experiência vivenciada no evento. Para Ana Vitória, “foi uma experiência inesquecível! Todos nós alunos, com um simples objetivo de fazer a exposição da melhor forma e com ajuda do nosso professor Frederico Pitassi, conseguimos com muita dedicação e zelo. Aprendemos muito com essa exposição sobre as técnicas”; já Ana Clara, uma das alunas de robótica, contou que “com organização e tempo, achamos o segredo de fazer tudo e bem feito. Uma exposição muito boa! Gostei muito, e foi bem divertida!”.

Os docentes da instituição também prestigiaram o evento, como o professor de Biologia, Luiz Fernando, e puderam integrar saberes. Fernando chamou a atenção para a apresentação de uma aranha robótica. Segundo o docente de Biologia, “a aranha robótica faz exatamente o movimento de locomoção de uma aranha de verdade. Quando falo de artrópodes (animais com patas articuladas), às vezes é complicado para nossos alunos entenderem a importância da articulação na evolução do movimento dos animais, então esta apresentação também auxilia os alunos na compreensão de outras disciplinas”.

Além dos projetos apresentados pela equipe de robótica do Colégio João XXIII, a exposição apresentou o “CBERS 04A nas escolas”, com participações do Colégio Professora Delce Horta Delgado e da Robótica Educacional do Colégio João XXIII, uma rede de compartilhamento de saberes disseminados pela AsiaColors, Consulado Geral da China do Rio de Janeiro e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Como ressaltado pelo INPE, “o Programa CBERS (China Brazil Earth Resources Satellite, em inglês) é o marco fundamental da cooperação espacial brasileira, que teve início oficialmente há 34 anos, quando Brasil e China assinaram o acordo para o desenvolvimento do projeto Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, um modelo de Cooperação Sul-Sul e uma importante demonstração da parceria estratégica entre os dois países”.

O evento contou com a presença das docentes Elaine Porto, mestra em Geografia pela UERJ, e Valdilene Martins, professora de Informática, do Colégio Delce Horta; e de Marcelle Torres, embaixadora honorária do Colégio Delce Horta para a disseminação da cultura, tecnologia e inovação de países da Ásia e diretora executiva da AsiaColors. Ao explicar a integração entre os temas de robótica e meio ambiente no projeto educacional, a professora Elaine Porto ressaltou que o Colégio João XXIII está localizado próximo a vários fragmentos do Bioma Mata Atlântica, que possui funções importantes em relação à recarga hídrica, sobrevivência da fauna e estruturação do solo. Para a professora, “quando a Robótica Educacional ministrada pelo professor Frederico Pitassi associa interdisciplinaridade, Tecnologia e Meio Ambiente com diversos projetos, sendo um deles sobre os componentes do CBERS 04A, tem como resultado a aproximação da Ciência e comunidade, além de atender à BNCC nas competências ‘conhecimento’, ‘cultura de Mundo Digital’ e ‘pensamento científico, crítico e criativo’”.

Projetos desenvolvidos pelos alunos.

A cultura chinesa se fez presente na exposição com as apresentações de nano satélites CBERS 04A, banners informativos sobre a parceria sino-brasileira, cartilha informativa com linguagem lúdica para o ensino fundamental e imagens de satélites dos dois países. Além disso, pandas de brinquedo estiveram acessíveis aos estudantes, que puderam observar, manusear e participar de forma interativa com fotos com esta espécie que simboliza a “China como um país aberto a outras culturas e interessada em manter boas relações com outros países”. Imagens da Muralha da China, de pesquisadores da Ásia, também compuseram o painel principal. Livros sobre a cultura chinesa e decorações (chinese knot) foram observados pela comunidade escolar durante os dois turnos. Para Marcelle Torres, “a doação de materiais educacionais do Consulado Geral da China no Rio de Janeiro possibilitou o contato com a cultura e a tecnologia chinesas, despertando a curiosidade e o interesse dos estudantes. Conectar os alunos, na teoria e na prática, com a cultura milenar da China e os avanços tecnológicos do país em direção ao espaço foram alguns dos pontos centrais da primeira ação do projeto”.  

Aberta ao público, a exposição também recebeu ex-alunos da instituição, como o Paulo Henrique, ex-aluno de robótica. Para Paulo, “foi muito bom rever os amigos ‘robóticos’, conhecer e conversar com os novos alunos e rever os professores que me ensinaram não só sobre as disciplinas, mas também sobre um pouco da vida! Fiquei encantado com os projetos da robótica, e um dos que me chamou bastante atenção foi o jogo da memória que funciona com leds e botões, em que os leds acendem em um padrão e o jogador tenta acompanhar o padrão dos leds com os botões”.

O dia de atividades no Colégio João XXIII ainda contou com a apresentação do livro “Luz, Câmera, Ficção e Biologia: a Ciência vai ao Cinema”, de autoria do professor Luiz Fernando. A obra é fruto da dissertação de Luiz Fernando e busca chamar a atenção para o papel transformador do professor diante do desinteresse do aluno pelo método de ensino tradicional. Para o autor, “cabe ao professor rever propostas pedagógicas, passando a adotar em sua prática aquelas que atuem nos componentes internos da aprendizagem”. Em um dos capítulos, o autor apresenta aos leitores as etapas para o planejamento e criação de uma atividade a partir da utilização de filmes de ficção científica. Nesse contexto, o autor reafirma o papel do docente como mediador do conhecimento em qualquer atividade que venha a ser desenvolvida em sala de aula, considerando seu potencial para a contribuição de discussões sobre o conhecimento científico e o conteúdo abordado.

Prof. Luiz Figueiredo, autor da obra, ao centro; profa. Elaine Porto e Marcelle Torres (AsiaColors) à esquerda; e profs. Daniel S. e Angela S. à direita.

O próximo evento da agenda do projeto será no dia 11 de agosto, sob a coordenação da professora Elaine Porto, no Colégio Delce Horta Delgado, e visa celebrar o momento com a Exposição de cartões postais doados pelo Consulado Geral da República Popular da China, cartões postais do Brasil, oficinas de nano satélites CBERS 04A e apresentação de vídeos com imagens culturais de ambos os países.

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